Apresentação

Gerar, disseminar e debater informações sobre GORDURAS TRANS, sob enfoque de Saúde Pública, é o objetivo principal deste Blog produzido no Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde - LabConsS da FF/UFRJ, com participação de alunos da disciplina “Química Bromatológica” e com apoio e monitoramento técnico dos bolsistas e egressos do Grupo PET-Programa de Educação Tutorial da SESu/MEC.

Recomenda-se que as postagens sejam lidas junto com os comentários a elas anexados, pois algumas são produzidas por estudantes em circunstâncias de treinamento e capacitação para atuação em Assuntos Regulatórios, enquanto outras envolvem poderosas influências de marketing, com alegações raramente comprovadas pela Ciencia. Esses equívocos, imprecisões e desvios ficam evidenciados nos comentários em anexo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Gordura trans está presente em vários alimentos

Alimentos que têm a chamada gordura trans aumentam o colesterol e o risco de problemas cardíacos.
 
                              

Como saber se um alimento tem a chamada gordura trans, que aumenta o colesterol e o risco de problemas cardíacos?
Quem acha que basta olhar a embalagem, está enganado.

O selo vem com destaque na embalagem de dezenas de produtos industrializados.

“Eu sempre procuro pra ver se tem zero de gordura trans”, diz Ângela Duarte, funcionária pública.

“Só não sei se o que vem no rótulo realmente diz a verdade, né?”, afirma Inês Albuquerque, advogada.

Uma pesquisa da universidade de Brasília confirmou que há motivo pra desconfiança. Uma nutricionista descobriu que em 19% de 10 tipos de alimentos há mais gordura trans do que o que aparece nos rótulos.

“A surpresa não muito agradável foi a dos leites integrais e dos requeijões porque sempre declararam zero, como sendo conteúdo de trans, mas observaram uma quantidade um pouco maior”, afirma Paula Lemos, nutricionista.

Nos dois casos, as amostras examinadas tinham mais do que 0,2 grama de gordura trans, limite aceito pela lei. Dos dez produtos pesquisados os que mais têm gordura trans são pela ordem: margarinas hidrogenadas, biscoitos recheados, misturas para bolos, biscoito cream cracker e requeijões.

Basta um descuido para ultrapassar o limite máximo aceitável de consumo de gordura trans por dia. Se um adulto comer três biscoitos recheados já ingeriu mais do que os dois gramas admitidos pela Organização Mundial de Saúde.

A gordura trans faz mal sem dar aviso. Ela se acumula nas paredes das artérias no corpo todo até provocar o entupimento. O bloqueio do sangue causa problemas como infarto e derrame.

“Faça uma alimentação o mais balanceada possível rica em fibras e com uma quantidade menor possível de produtos industrializados”, diz Anderson Ribeiro, cardiologista.

Fonte: Jornal Hoje - 03.09.2008

7 comentários:

Lívia Sousa disse...

Esse é um caso complicado, pois não podemos confiar nem nos rótulos nem nos próprio órgãos reguladores.
A gordura trans é, de fato, meléfica a saúde, porém existe o lado da indústria alimentícia, que a utiliza para fazer com que os alimentos fiquem mais saborosos; além de valorizar, esse tipo de gordura é usada para aumentar o prazo de validade, permitindo que os produtos permaneçam mais tempo nas prateleiras sem estragar. Algumas indústrias alimentícias já usa o óleo de palma em substituição à trans; porém, apesar de ser menos nocivo que a gordura trans, o óleo de palma não é a opção mais saudável.

Pois é.. surpreendente como comer, atualmente, está ficando cada vez mais perigoso!!

Livia Sousa disse...

Abaixo uma lista com mais alguns alimentos que contém gordura trans e que talvez passem despercebidos ao olhar do consumidor.

Alimentos ricos em gordura trans:
SORVETES, BISCOITOS, SALGADINHO DE PACOTE, BOLACHAS COM CREME, MASSAS FOLHADAS, CHOCOLATE DIET, FRITURAS COMERCIAIS, MOLHOS PRONTOS PARA SALADA, SOPAS ENLATADAS, MAIONESE, PIPOCA DE MICROONDAS.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0066-782X2008000100012&script=sci_arttext

Liva Sousa disse...

A hidrogenação de ácidos graxos é utilizada para modificar a textura de gorduras que, a temperatura ambiente, estariam no estado sólido; existe portanto, a hidrogenação total e a parcial. A última, devido ao mecanismo de reação, produz gordura "trans", necessariamente. Tendo conhecido este "efeito colateral" da hidrogenação parcial, pesquisadores do Departamento da Agricultura do Estados Unidos investigaram a possibilidade de realizar a hidrogenação sem produzir gordura "trans". Segue abaixo, um trecho da notícia:
"Researchers at the United States Department of Agriculture have investigated whether hydrogenation can be achieved without the side effect of trans fat production. They varied the pressure under which the chemical reaction was conducted — applying 1400 kPa (200 psi) of pressure to soybean oil in a 2 litre vessel while heating it to between 140 °C and 170 °C. The standard 140 kPa (20 psi) process of hydrogenation produces a product of about 40% trans fatty acid by weight, compared to about 17% using the high pressure method. Blended with unhydrogenated liquid soybean oil, the high pressure processed oil produced margarine containing 5 to 6% trans fat. Based on current U.S. labelling requirements (see below) the manufacturer could claim the product was free of trans fat. The level of trans fat may also be altered by modification of the temperature and the length of time during hydrogenation."

Fonte: News Medical

Priscilla Joplin disse...

Realmente, é muito importante que todas as pessoas tenham uma alimentação balanceada, visando sempre uma vida saudável. Porém, com a correria do dia a dia, essa tão sonhada alimentação balanceada acaba não acontecendo, pois, por falta de tempo, temos que recorrer a alimentos industrializados, já prontos para comer. E esses tais alimentos industrializados, muitas vezes, são ricos em gorduras insaturadas em sua conformação trans. As gorduras, de uma forma geral, afetam a estrutura, estabilidade, sabor, aroma, qualidade de estocagem, características sensoriais e visuais dos alimentos. Ou seja, as gorduras deixam os alimentos mais interessantes aos olhos do consumidor. Nos últimos anos, a presença dessas gorduras trans nos alimentos vem preocupando os consumidores, como disse o texto. Portanto, muitas indústrias, para contornar este problema, tentaram substituir essas gorduras trans. Essa substituição veio com as gorduras interesterificadas. A interesterificação ocorre através de um rearranjo dos ácidos graxo, sem a formação de ácidos graxos trans. Costuma-se utilizar na mistura ácidos graxos saturados, tipicamente o ácido esteárico. Atualmente, estudos comprovam que essa mudança para gorduras interesterificadas também traz prejuízos à saúde: segundo o artigo Stearic acid-rich interesterified fat and trans-rich fat raise the LDL/HDL ratio and plasma glucose relative to palm olein in humans , esse tipo de gordura é capaz de, além de diminuir o HDL como também faz a gordura trans, aumentar a resistência a insulina, fator importantíssimo quando se considera uma doença muito comum na atualidade que é a Diabetes Mellitus. Infelizmente, isso não vem discriminado nos rótulos dos alimentos, sendo portanto um risco à saúde do consumidor que apresenta essa doença. Essa mudança de trans para interesterificada trouxe à tona a velha máxima: Troca-se o seis pela meia-dúzia.

joyce massau disse...

Uma iniciativa tão interessante, pena que acabou. Ou vocês vem divulgando de alguma outra forma informações e pesquisas sobre o assunto? Duvido muito que meu comentário seja respondido após todos esses anos, só me resta esperar. Desde já agradeço.

Natália Pereira DRE110083491 Farmácia UFRJ disse...

Concordo com o cardiologista Anderson, pois o melhor a se fazer é evitar alimentos industrializados e preferir os in natura, pois além da gordura trans estaríamos diminuindo, também, o consumo de produtos químicos maléficos à saúde. Além disso, gostaria de adicionar que devido ao marketing negativo da gordura trans as industrias estão utilizando as interesterificadas que os estudos estão mostrando que também podem causar danos à saúde de quem a consome.

Sabrina Paiva disse...

O consumo de gorduras trans traz sérios transtornos à saúde e afeta a qualidade de vida das pessoas. Isso porque a ingestão delas pode levar, entre outras complicações, ao infarto, que é responsável por 27% das mortes no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.
Amplamente utilizada pela indústria, ela é formada a partir de uma reação paralela ao processo de hidrogenação de óleos vegetais líquidos,outras reações também ocorrem e formam os chamados isômeros trans, que são popularmente nomeados de gorduras trans.No entanto, as brechas nas recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) levam muitas empresas a utilizarem manobras nas descrições dos rótulos. Segundo estudo realizado na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), 72,4% dos produtos pesquisados utilizavam nomes alternativos para denominar gorduras trans, como “gordura vegetal” ou “margarina”.Isso torna mais difícil para o consumidor definir quais alimentos são saudáveis ou não, podendo gerar confusão na hora da compra do produto, nesse caso é melhor manter uma dieta saudável e equilibrada consumindo a menor quantidade de produtos industrializados possível.